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Pinda é a cidade com menor diferença de salário entre mulheres e homens

Participação feminina nas fábricas cresceu 86% nos últimos 20 anos e hoje envolve mais de 1.000 mulheres na cidade

A cidade de Pindamonhangaba é a que tem a menor diferença salarial entre mulheres e homens no ramo metalúrgico entre todos os sindicatos filiados à FEM-CUT/SP, segundo estudo do Dieese.

A Federação dos Metalúrgicos da CUT no Estado de São Paulo (FEM-CUT/SP) engloba 216 mil trabalhadores em 13 sindicatos, como Pinda, Taubaté e várias cidades.

O levantamento foi realizado pela economista Caroline Gonçalves, da subseção do Dieese da FEM-CUT/SP e compreende dados do Ministério do Trabalho e Emprego, RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) entre 2003 e 2023.

De forma geral, a diferença salarial entre mulheres e homens diminuiu 12,2% na base da Federação nos últimos 20 anos. Em 2003, as metalúrgicas recebiam, em média, 35,4% a menos do que os homens. Em 2023 essa taxa caiu para 23,2%.

Em Pindamonhangaba, a diferença ficou ainda menor. As mulheres que ganhavam 24,2% agora ganham 14% a menos. A 2ª menor taxa é a de Taubaté, com 15,5%.

A taxa de participação feminina no nível de emprego também é destaque em Pinda. Na base da Federação, a participação feminina cresceu 28%, passando de 13,7% para 17,6% do efetivo – 38 mil mulheres. Em Pinda, esse crescimento foi de 86%, passando de 6,6% para 12,3% do efetivo. Dos 8.302 trabalhadores em 2023, 7.281 são homens e 1.021 mulheres.

Maria Auxiliadora, diretora do Departamento da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba, comemora o resultado e reforça a luta pela igualdade.

“Hoje tem mais mulheres na produção, lugares que antes eram exclusivos de homens. É bom ver essa pesquisa, comemorar ela, isso é resultado de uma luta coletiva e também dizer que a batalha continua por mais igualdade no mercado de trabalho”, disse Maria.

O presidente do Sindicato, André Oliveira, também aponta mudanças na atuação sindical com esse aumento de mulheres.

“É uma nova mentalidade. A Gerdau tem até um programa de contratação só de mulheres, que chama Pertencer. E o Sindicato tem reforçado sua atuação para dar apoio a elas, combater os casos de assédio moral que essas mulheres que hoje estão mais presentes na produção acabam sofrendo daqueles homens que não aceitam mulheres fazendo a mesma atividade que eles”, disse.

Avanços precisam continuar

Para a secretaria da Mulher Trabalhadora da FEM-CUT/SP, Ceres Lucena, os avanços dos últimos 20 anos são importantes e demonstram um trabalho firme do movimento sindical. Ela destaca que a redução da diferença salarial entre homens e mulheres é motivo de comemoração, mas aponta é que preciso continuar avançando.

“Essa problemática da diferença salarial é história e atinge todos os setores. Por isso, sempre lutamos fortemente para mudar esse cenário e conseguimos incluir em diversas Convenções Coletivas de Trabalho negociadas pela FEM-CUT/SP a menção para garantir que as mulheres e homens recebam o mesmo salário. É um avanço importante, mas precisamos continuar essa luta para tornar essa igualdade uma realidade”, diz a sindicalista.

Ela completa que ter mais mulheres e a ampliação da participação feminina na categoria são conquistas do trabalho sindical.

“Nossa luta por mais mulheres no setor metalúrgicos é constante e faz parte da pauta prioritária da FEM-CUT/SP e dos sindicatos filiados. O tema está sempre presente nas mesas de negociações e também na busca por políticas públicas que ampliem a participação feminina no mercado de trabalho”.

A economista Caroline Gonçalves